Os anos 60 iniciam um processo de perda de qualidade ambiental e
padrões
urbanos do qual a cidade se ressente hoje. A denominação de
Centro Novo, para a área do outro lado do Vale do Anhangabaú
relegou o Centro Velho, histórico, a uma lenta deterioração,
culminando com o surgimento de novas centralidades com a Av.
Paulista, depois a Av. Faria Lima e mais recentemente, a Av.
Luis Carlos Berrini, na zona sul da cidade. A instalação de um
pólo automobilístico na região do ABC ampliou significativamente
a migração interna, além de incrementar o uso do automóvel na
cidade, o qual atinge hoje a taxa assustadora de um carro para
quase dois habitantes, numa população de 10 milhões de pessoas.
A falta de qualquer tipo de
controle para seu crescimento levou à invasão de áreas de
mananciais, essenciais para o abastecimento, e à perda paulatina
de áreas verdes e espaços públicos. Um cinturão periférico de
sub-habitações abriga mais de 1 milhão de pessoas, ligadas por
precários laços de infra-estrutura com a cidade convencional. A
antiga cidade de São Paulo hoje se apresenta como um fenômeno
urbano específico, uma megalópole, ou seja, uma aglomeração de
pessoas e problemas que escapa aos métodos comuns para seu
tratamento, dada as implicações sempre compartilhadas com os
municípios polarizados ao seu redor. O preço desse gigantismo
foi a perda de qualidade de vida para boa parte de seus
habitantes, o que acaba se refletindo nos crescentes índices de
violência urbana.
O novo Plano Diretor Estratégico,
Lei aprovada em 2.003, após 30 anos do velho zoneamento da
cidade, procura dar novos rumos à cidade. Historiar regiões da
cidade, unidas administrativamente, mas com origens e funções
díspares no contexto urbano diversificado, não é fenômeno
simples, mas o que as une é a vontade de organizar e gerir este
espaço urbano, mais ou menos homogêneo e, com isso, continuar a
luta por um espaço urbano digno para seus habitantes.